Poesia Marginal.
Hoje, conversando com um grande amigo (virtualmente) sobre coisas do vestibular (que eu de verdade estou super por fora), surgiu um assunto interessante. Ele me perguntou se eu gostava de poesia marginal e eu respondi que já tinha ouvido falar mas nunca tinha lido ou ao menos sabido de algo relacionado a isso. Então ele me passou o nome de dois desses poetas e lá fui eu ver do que se tratava. Ele falou do Paulo Leminsk e do Torquato Neto. Desse último, não consegui ler nada visto que a música do seu site não me agradou e as coisas eram tão modernas que se tornaram confusas, ainda mais que estou com febre e com a mínima paciência pra algumas coisas.
Na verdade, a poesia marginal apareceu nos anos 70, época de grande repressão, e ela rompia com a realidade, com o intelectualismo e era diluidora, marginal.Esses ideais eram passados de mão em mão em forma de folhetos, jornais e revistas, chegando às praças, aos muros como uma forma de manifestação político-social e de mudanças. Além de ser uma alternativa, a Marginalidade ameaçava o sistema, possibilitando a ação, a agressão e a transgressão. O uso de drogas, a sexualidade que foge aos padrões vigentes, o comportamento "exótico" são vividos e sentidos como gestos perigosos, ilegais e então sentidos como uma forma de contestação política. Na verdade, a fuga dos padrões impostos são tipos de contestação, quando feitos de maneira consciente e inteligente. E o Paulo Leminsk, um desses Marginais, escreveu coisas que me deixaram apaixonado. Na verdade, ainda não conheço muita coisa das poesias marginais, mas do que eu conheço, posso dizer que ele diz muito o que eu quero ouvir. E umas das coisas que eu muito gostei foram essas:
1- Um homem com uma dor
é muito mais elegante
caminha assim de lado
como se chegando atrasado
andasse mais adiante
carrega o peso da dor
como se portasse medalhas
uma coroa um milhão de dólares
ou coisa que os valha
ópios édens analgésicos
não me toquem nessa dor
ela é tudo que me sobra
sofrer, vai ser minha última obra .
2- A estrela cadente
me caiu ainda quente
na palma da mão.
3- Para a liberdade e luta
me enterrem com os trotskistas
na cova comum dos idealistas
onde jazem aqueles
que o poder não corrompeu
me enterrem com meu coração
na beira do rio
onde o joelho ferido
tocou a pedra da paixão.
4- En la lucha de clases
todas las armas son buenas
piedras
moches
poemas .
5- Eu queria tanto
ser um poeta maldito
a massa sofrendo
enquanto eu profundo medito
eu queria tanto
ser um poeta social
rosto queimado
pelo hálito das multidões
em vez
olha eu aqui
pondo sal
nesta sopa rala
que mal vai dar para dois.
6- Podem ficar com a realidade
esse baixo astral
em que tudo entra pelo cano
eu quero viver de verdade
eu fico com o cinema americano.
7- O novo
não me choca mais
nada de novo
sob o sol
apenas o mesmo
ovo de sempre
choca o mesmo novo .
8- Moinho de versos
movido a vento
em noites de boemia
vai vir o dia
quando tudo que eu diga
seja poesia .
9- Amor ,então ,
também acaba?
Não que eu saiba.
O que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
Ou em rima.
10- Duas folhas na sandália
o outono
também quer andar.
As poesias marginais de Leminsk são simples, contestadoras, pequenas frases que expressam muito mais que qualquer romance. O melhor de tudo é quando o texto se transforma em discurso e você, de verdade, entende. Os Lusíadas, A Moreninha, Os Sertões... até acredito que sejam obras belíssimas. Mas nunca se transformaram em discurso pra mim. Quem sabe um dia eu não me interesse?



1 Comments:
meu trabalho de literatura está pronto! rsrsrs
ta legal seu site ^^
jessicabezgom@yahoo.com.br
abraço
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