22.11.06

A minha visão sobre a questão trans.

E o que fazer quando todos os valores não têm nenhum valor a não ser econômico? Tudo aquilo que está nas entrelinhas, nos olhares, nos gestos, no cotidiano... Tudo isso que parece ser tão pessoal é na verdade tão mecânico e tão igual. Posso pensar diferente da minha mãe em relação aos transgêneros, ou sobre qualquer outra coisa. Quando na verdade, sentimos a mesma coisa, mas nos expressamos de maneiras diferentes. Os conceitos estão entranhados no nosso eu e isso se deu graças a grupos que sempre buscaram se sobressair em relação aos outros. Essa relação de poder, estabelecida desde a metáfora de Adão e Eva, é que foi se transformando no que hoje chamamos de cultura.
Por mais que digam na TV que não há preconceito, que todos digam que hoje é tudo tão normal, não podemos acreditar em nada disso. Acredito que a culpa, se é que assim podemos dizer (e isso também faz parte de uma cultura opressora), não é de alguém que tenha preconceito em relação aos trangêneros. Ou em relação a qualquer outra coisa. De nada adianta as pessoas dizerem que não têm preconceito, quando é isso que elas sentem. Até eu, quando me refiro ao que é novo para os meus malditos valores, acabo sendo preconceituoso, de qualquer forma. É tudo muito complicado.
Mas a minha intenção com essa exposição de idéias não é confundir e sim buscar alternativas ao sofrimento e papel aos quais os trangêneros são expostos.
QUEM SÃO?
Os transgêneros são pessoas que não se enquadram nas definições homem/mulher e isso está relacionado à identidade e não à sexualidade. O transgênero é alguém que nasce com características do que conhecemos como masculino e feminino, ao mesmo tempo.
Uma pessoa, para ser reconhecida socialmente, precisa estar nos padrões que a sociedade vem estabelecendo ao longo da História. E quando estão fora deles, estão fora do convívio social, não entram no mercado de trabalho, são sancionados pelas pessoas no dia-a-dia, não são apoiados pela família, pela Igreja, pelo Estado. E a saída, na maioria das vezes, é a prostituição.
A sociedade prefere fechar os olhos ou continuar “olhando torto”, ao invés de mudar os seus olhares e valores em relação aos transgêneros. E com essa exclusão, os trans nunca vão conseguir mostrar para a sociedade que também fazem parte, que são pessoas normais e iguais, mesmo sendo “diferentes”. E a solução, na maioria das vezes é a operação nos órgãos genitais.
E o direito de o indivíduo intervir no seu próprio corpo é entendido como transgressão e a luta dos ativistas transexuais é pela garantia desse direito. Mas, enquadrar-se nos padrões ditados pela sociedade, tornar-se normal, não parece ser, de fato, transgressão. Existem condições normais de existência? Isso é admitir o preconceito consigo mesmo. O ideal não seria que todos pudessem escolher seu sexo e sim que a sociedade visse os transexuais de maneira normal. A luta é muito maior do que se pensa. As operações são soluções imediatas que vão continuar gerando preconceito, como acontece com as cotas raciais nas faculdades federais.
Na mídia, a questão trans nunca aparece. E quando aparece, é tratada de forma preconceituosa. Esses valores devem ser mudados. As pessoas precisam saber que elas estão presas à regras e condutas que não são delas.

3 Comments:

Anonymous Anônimo said...

helvio.
te amo! aoeiaeoi

2:20 AM  
Anonymous Anônimo said...

não vou negar que tb tenho um preconceito..

to com saudade
vem quando pra cá ?
:)

8:58 PM  
Blogger bruno said...

nossa helvio, ficou otimo! pq nao manda praquela menina da palestra do CR? as vezes ela se interessa em ler! http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2005/12/340210.shtml :*

9:48 PM  

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