28.11.06

Música?

Música?

Saiba: Todo mundo foi neném
Einstein, Freud e Platão também
Hitler, Bush e Saddam Husseim
Quem tem grana e quem não tem.

Saiba: todo mundo é rockstar
Nenê, Elisa e Mamá
Nico, Kathleen, Courtney Love
Donna,Inda, Carrie e Mô.

Saiba: todo mundo faz cocô
Kurt, Helvio e Karen O.
Morrisey, Cat Power , Tobi Vail
E bandinhas da MTV.

Saiba: todo mundo já ouviu
Atari, Ex, Shaggs, Unicorns.
Chico, Cramps, Stereo Total
Frou Frou, Denali, Bratmobile.

Saiba: todo mundo é guitarrista
Carrie, Corin, Flávia e Lorena.
Nick Zinner e Mirah.
Nicole Morier.

Saiba: todo mundo escreveu
Soap Box Girls, Bendita e Bust
Feminista!, Moxie, Bamboo Girl
Hilst, Plath, Bruce laBruce.

Saiba: todo mundo vai morrer
Rocco, Kaia e Almodóvar.
Carmen Miranda e Jesus já morreram.
Assim como você!
A bixa tá presa.

* Precisamos nos livrar dos rótulos que a sociedade e a mídia nos colam na testa. Independente da sexualidade, crença religiosa, condição social ou raça, somos TODOS vítimas de um sistema que corrói os nossos neurônios, que impede nosso potencial de mudança, nossa criatividade. Nós, o famoso “grupo de risco”, somos taxados pelo que a maioria representa. Ser gay no sistema capitalista é possuir etiquetas, freqüentar lugares caros e específicos para gays, como viver num circo onde as pessoas te assistem da arquibancada e criam qualquer pensamento sobre você. O pior é que além da platéia, os artistas contribuem para essa divisão e massificação dos gays. É muito mais fácil se conformar com o que é imposto do que ir contra esses pré-conceitos.

* Milhões de trabalhadores enfrentam preconceitos, discriminação e violência nos seus locais de trabalho ou quando vão procurar um emprego devido a sua identidade sexual ou de gênero. Assim, temos a confirmação de que o preconceito ainda existe e é muito forte. É fácil pensar que se estamos sendo abordados pela mídia, em novelas e debates, o preconceito está acabando. Isto é uma inverdade e uma forma de lucrar com as diferenças (ou com os diferentes).

*Temos que acabar com o preconceito dentro da cena hardcore/punk. As pessoas deveriam ter consciência de como é absurdo existir preconceito dentro do punk, assim como em qualquer outro lugar. O nosso papel é lutar e legitimar nossos direitos para que possamos usufruir de tudo que possa melhorar nossas vidas como cidadãos comuns. Os debates e informações também são importantes para que os gays tenham a consciência de que eles não devem ser aceitos pelo que eles possuem e sim pelo que são. A maioria prefere seguir pelo caminho mais fácil: o consumismo. Os que mais consomem, os que mais se enfeitam, os que abaixam a cabeça por serem gays, os que não agem naturalmente. Do que mais podemos ser taxados ou o que mais podemos representar para a sociedade? Os nossos valores como minoria devem ser repensados para que possamos ser respeitados. Ser gente é bem mais fácil do que se pensa.

* Grupos sociais de menor poder, lutem contra as imposições dos grupos de maior influência. Que haja menos contribuição com um sistema que vai te tornar cada vez menor e massificado. Não deixe que confundam sua sexualidade com sua personalidade e cuidado para que você também não se confunda.

I BEG YOU MERCY! Gente, gente! Cuidado com o que representam! Não me venham falar em preconceito quando você mesmo se inclui nisso.

22.11.06

A minha visão sobre a questão trans.

E o que fazer quando todos os valores não têm nenhum valor a não ser econômico? Tudo aquilo que está nas entrelinhas, nos olhares, nos gestos, no cotidiano... Tudo isso que parece ser tão pessoal é na verdade tão mecânico e tão igual. Posso pensar diferente da minha mãe em relação aos transgêneros, ou sobre qualquer outra coisa. Quando na verdade, sentimos a mesma coisa, mas nos expressamos de maneiras diferentes. Os conceitos estão entranhados no nosso eu e isso se deu graças a grupos que sempre buscaram se sobressair em relação aos outros. Essa relação de poder, estabelecida desde a metáfora de Adão e Eva, é que foi se transformando no que hoje chamamos de cultura.
Por mais que digam na TV que não há preconceito, que todos digam que hoje é tudo tão normal, não podemos acreditar em nada disso. Acredito que a culpa, se é que assim podemos dizer (e isso também faz parte de uma cultura opressora), não é de alguém que tenha preconceito em relação aos trangêneros. Ou em relação a qualquer outra coisa. De nada adianta as pessoas dizerem que não têm preconceito, quando é isso que elas sentem. Até eu, quando me refiro ao que é novo para os meus malditos valores, acabo sendo preconceituoso, de qualquer forma. É tudo muito complicado.
Mas a minha intenção com essa exposição de idéias não é confundir e sim buscar alternativas ao sofrimento e papel aos quais os trangêneros são expostos.
QUEM SÃO?
Os transgêneros são pessoas que não se enquadram nas definições homem/mulher e isso está relacionado à identidade e não à sexualidade. O transgênero é alguém que nasce com características do que conhecemos como masculino e feminino, ao mesmo tempo.
Uma pessoa, para ser reconhecida socialmente, precisa estar nos padrões que a sociedade vem estabelecendo ao longo da História. E quando estão fora deles, estão fora do convívio social, não entram no mercado de trabalho, são sancionados pelas pessoas no dia-a-dia, não são apoiados pela família, pela Igreja, pelo Estado. E a saída, na maioria das vezes, é a prostituição.
A sociedade prefere fechar os olhos ou continuar “olhando torto”, ao invés de mudar os seus olhares e valores em relação aos transgêneros. E com essa exclusão, os trans nunca vão conseguir mostrar para a sociedade que também fazem parte, que são pessoas normais e iguais, mesmo sendo “diferentes”. E a solução, na maioria das vezes é a operação nos órgãos genitais.
E o direito de o indivíduo intervir no seu próprio corpo é entendido como transgressão e a luta dos ativistas transexuais é pela garantia desse direito. Mas, enquadrar-se nos padrões ditados pela sociedade, tornar-se normal, não parece ser, de fato, transgressão. Existem condições normais de existência? Isso é admitir o preconceito consigo mesmo. O ideal não seria que todos pudessem escolher seu sexo e sim que a sociedade visse os transexuais de maneira normal. A luta é muito maior do que se pensa. As operações são soluções imediatas que vão continuar gerando preconceito, como acontece com as cotas raciais nas faculdades federais.
Na mídia, a questão trans nunca aparece. E quando aparece, é tratada de forma preconceituosa. Esses valores devem ser mudados. As pessoas precisam saber que elas estão presas à regras e condutas que não são delas.

14.11.06

Que merda! Ela é filha dela, e daí?

Eu acredito na personalidade como uma construção social. E assim, é inevitável as pessoas não parecerem com as pessoas que elas convivem. Ainda mais quando se fala da figura da mãe, que, na infância, queremos ser espelho. Por todo carinho, por tudo.
Se dos amigos já tiramos tantas coisas, imaginem das nossas mães, que estão sempre presentes nas nossas vidas ( me refiro à figura da mãe, que pode estar até em uma árvore e não ao arquétipo de mãe presente, biológica e perfeita).
A Elis Regina foi uma intérprete brasileira brasileira. Sentia, logo cantava.
A Maria Rita é uma intérprete brasileira brasileira. Sente, logo canta.
Assim como a Vanessa Da Mata, a Marisa Monte... intérpretes e cantoras brasileiras brasileiras. Sentem, logo cantam.
(...)

As comparações de Maria Rita à Elis Regina são burras. As pessoas criam uma barreira com a Maria Rita, somente por ser filha da Elis. Isso é tão "senso comum". Acho que é porque ela não canta axé.
A Maria Rita é boa, o show dela na boite Mais, em Meaípe, foi perfeito.
Desde o figurino às músicas, o show é belíssimo. As musicas escolhidas são de muito bom gosto (algumas nem tanto). Mas a Maria Rita consegue deixar tudo com outra cara (não julgo melhor nem pior, apenas diferente). Ela é artista! As pessoas as vê como vêem a Ivete Sangalo (nada contra), mas a chamam de gostosa o tempo todo, e ela não ta ali pra isso. Nem pra ser lembrada que é filha da Elis. Está ali simplesmente pra mostrar sua música, que por sinal é muito boa.
A maioria estava ali pelo status que um show da Maria Rita pode trazer. Outros para falarem mal e compará-la à mãe. Outros por que gostam. E outros que nem sabem porquê.

Vamos parar de criar esteriótipos para a arte. Por mais indústria cultural que isso possa ser. A música é algo maior que isso, quando é sentida. A Maria Rita é a Maria Rita. Ela é boa. As canções são belíssimas. Vamos apreciar, não apedrejar.

Ah, odeio ela cantando músicas do Rappa. Acho chato, impreguinante. Não é a cara dela. Deixa pro Rappa cantar. É deles, mais a cara deles. Foi a única parte chata do show.
A interpretação de Não vale a Pena foi "do caralho". As aulas de interpretação dela deram certo, viu?

Quem dera se a Nara, a Kathleen, a Cássia, a Dolly, a Mirah, a Patti, a Nico, a Karen , a Corin, a Adriana, a Marisa, a Carmen, a Maria Bethânia, a Gal tivessem uma filha que fizesse música tão bem como elas fazem.

10.11.06

Show do YYY - Tim Stage - Rio de Janeiro.



Ir ao Rio é sempre maravilhoso.

Botafogo, Flamengo, Lapa, Laranjeiras, Humaitá, Catete... (tô podendo).
O Galeão é algo impressionante. Nunca tinha andado de avião. Confesso que não foi nada demais. Essa coisa de adrenalina... mito. Pessoas bonitíssimas.
O Rio é cultura. Além do mais, confesso, me sentia numa novela, a todo momento. Inevitável carregar consigo uma visão estereotipada das coisas. Mas eu senti o Rio.
Fotos? No way. O Rio é um museu, uma capelinha barroca, daquelas em que não se pode tirar fotos. Nem nas ruas gritantes da Lapa, nem em lugar algum. Os "curadores" não o deixam. Se você tirar a máquina do bolso, de verdade é assaltado. Não é uma visão alarmista, mas os assaltantes do Rio amam fotografia. E preservam o Rio. Não deixam ninguém tirar fotos.
Fotos só de cima do morro. Tiradas por eles, na visão deles.
De qualquer forma, a viagem foi perfeita. Pessoas maravilhosas me receberam, me fizeram rir de mim mesmo e das coisas mais simples.
O meu objetivo maior era ver o Yeah Yeah Yeahs, no Tim Festival. Tanto pra ver a banda que eu gosto quanto pra dizer que fui.
As pessoas, no Tim, pareciam de plástico. Muita maquiagem, roupas lindíssimas... nada contra. Só acho que as pessoas deviam fazer menos carão e SEREM mais. Pessoas lindas, fisicamente, com um neon piscando: SEXO.
Entrei no Tim Stage quando o Mombojó estava acabando de tocar a ultima música, confesso que não gosto da banda. Acho tão chatinho.
E logo, entra no palco, a mãe, Patti Smith. A mulher é foda. Ela é glamourosa, é trash, é feminina, é masculina, é simples, emperequetada. Dancei as suas músicas como se não existisse ninguém ali, foi uma entrega, sabe? Por alguns instantes, senti meus pés fora do chão, e isso não é clichê.
E então chega o tão esperado show. Queria matar a "gordinha" que estava testando os microfones, pois cada segundo parecia uma eternidade para ver a Karen O entrar no palco e me fazer voar. E foi o que logo aconteceu. Pensei que ela viria de Carmen Miranda... viajei.
A sua roupa era extravagante, como sempre. Mas com um ar abrasileirado, santificado. Cheguei a pensar na Maria do século XXI. O Yeah Yeah Yeahs tem dessas coisas.
O repertório foi perfeito. Musicas como: Warrior, Phenomena, Gold Lion, Fancy, Honeybear e Cheated Hearts mostraram que o Show Your Bones é um trabalho foda, com melodias perfeitas, letras extravagantes... e calou a boca dos pseudo-saudosistas que tem mania de falar mal dos trabalhos diferentes ao primeiro cd, sempre achando que nada vai superar.
Do fever to Tell, eles mandaram músicas que marcaram o show: Date with the night (ultima música, após aquele estratégico fim de show, que levantou o Tim Stage), Black Tongue (essa musica é perfeita), maps (de lei) e Y control ( A música)...
Tenho que dizer que foi o melhor show da minha vida. E da vida de muita gente que estava ali.
Se eu me decepcionei com alguma coisa? Sim, com as mecanicidades da performance de Karen O, algumas coisas deixam na cara que são réplicas, que por que deram certo, são repetidas. Não gostei disso. O Yeah Yeah Yeahs caiu no meu conceito.
Ah, tem a história da cueca... eu, Matheus, André e Paula fizemos uma cueca com varias coisas engraçadas escritas e jogamos no palco. Vou te contar que isso foi muito foda. É ótimo ser barangão. E eu, de verdade, sou. A Karen O pegou a bendita cueca na hora de começar Cheated Hearts, uma música que tem muito significado pra mim. Perfeito. E a minha vontade de aparecer foi concretizada.
Ah, e pra todos que sempre querem saber, vi um monte de artista. E fotologger famoso. Vou te contar que é tudo igual. Foi a época em que eu superamava essas pessoas.
Pisei no pé de uma dondoca, que não aceitou as desculpas. Pisei denovo.
Tudo muito caro... água 4 reais. absurdo. sagatiba, 10.
No dá pra contar tudo aqui. as outras coisas ficam na memória e ninguem, nunca, vai tirar isso de mim. por isso, valeu muito a pena.







Carta ao amor, contra o tempo.

Antes eu não queria que soubesse do que eu não sabia:
Finja que não sabe ou finja que sabe.
E depois você quis saber do que eu sabia
E eu te disse tudo sobre o que me deixava feliz
E isso não mudou nada na sua vida.
E todas as piores desculpas surgiram
Na busca de explicar o que não era pra explicar.
E depois de tantas voltas, você decide dizer a que veio.
Diz que sente saudades!
E isso não muda nada na minha vida.
O nosso tempo passou, nosso repertório mudou e as coisas já não são as mesmas.
Tudo perdeu o gostinho de primeira vez
E o grande erro da Humanidade é sempre buscar a primeira vez em todas as outras vezes.
Você finge que se interessa pelas minhas ações
E eu finjo estar bem.
Tento mudar de assunto como se um ventilador assoprasse as palavras
Mas as palavras são bumerangues.
E se eu ainda sinto vergonha de você
É porque ainda mexe com meus sentimentos e desejos.
Eu gosto daquele você
E não desse você.
Tenta buscar o outro você e não consegue, enfiando os pés pelas mãos.
Está preso a uma jaula que têm rodinhas e desliza rapidamente do alto de um morro sem fim.
Esse é o tempo.
Sabe aquele empurrão que me pediu?
Me arrependo!
Nem sempre andar pra frente é o caminho mais fácil.
Sei que precisa se libertar.
Mas de nada adianta sair de uma jaula e entrar numa outra e numa outra.
Não importa de que lado está e nem ao menos o caminho que vai seguir.
O importante é a sinceridade, sempre, em tudo!
A simplicidade foi esquecida numa caixinha embaixo do ego.
E foi carimbada com inúmeros rótulos.
E a inveja quebrou a caixinha.
E já não temos o que mais nos importava, a sinceridade.
Gostaria de cometer os mesmos erros que você e gostaria que cometesse os meus.
A indiferença resolveu me atordoar e eu já não te via mais com a mesma lente.
E isso foi corroendo tudo o que eu construí dentro de mim.
Você queria o que eu sentia por você.
Mas não queria o que as pessoas achavam que eu sentia por você.
Não era um “eu te amo” cheio de valores morais.
Era um “eu te amo” puro, desprovido de qualquer razão.
Você foi a única pessoa que não me viu com os olhos da moral.
E era isso o que mais me fazia feliz.
E a moral, inversa ou normal, foi tomando conta dos seus sentimentos.
E você acabou se perdendo numa névoa cheia de verdades fajutas e conceitos estabelecidos.
Nunca mais vamos conseguir ser sinceros um com o outro, por mais que tentemos.
Sempre vai haver algo a esconder, inventar, distorcer.
Voltar a ser como antes?
Não acredito!
Mas o fato de eu não acreditar, não significa que seja impossível retomar.
Mas nada nunca será como foi!
E tudo o que não foi nunca vai ser!
Você aprendeu coisas com outras pessoas.
E isso fere meu ego!
Mas sinceramente, teria aprendido o mesmo com os seus erros e acertos.
Faça o que for, mas faça sendo sincero consigo mesmo.
Assim ficarei feliz.
Sinto-me uma criança!
E criança tem muitos brinquedos.
E os ama como se fossem as únicas coisas do mundo.
E sabe aquele brinquedo que você tem um cuidado especial?
Por mais velho e feio que ele seja?
Por mais usado que esteja?
Esse brinquedo representa a simplicidade, a infância, a pureza!
E você é esse meu brinquedo!
E por mais que eu nunca mais brinque com ele...
Para não quebrar, acabar ou perder,
Eu o guardo com muito carinho e amor!
Às vezes guardar é melhor que utilizar.
Talvez um dia eu resolva tirar esse brinquedo da caixa
Do fundo do baú
Debaixo de camadas de poeira
Talvez eu nunca mais o ache.
Mas se eu achar
Vou ficar ali, olhando aquele brinquedo,
Admirando.
E talvez, quem sabe, brincar!
E dessa vez com muita cautela, dedicação e amor.
Para não quebrar!
Relembrar a pureza da infância
A ausência da moral
O amor sincero.
E agora tenho que guardar denovo o brinquedo na caixa.
Talvez eu nunca mais lembre onde guardei.
Mas está bem guardado.
E esse simples fato me fará uma pessoa feliz pro resto dos meus dias.
Porque eu vou saber que um dia no mundo existiu pureza!

Helvio Tavares.


Até eu (o) amo. Engraçado, né?

Poesia Marginal.

Hoje, conversando com um grande amigo (virtualmente) sobre coisas do vestibular (que eu de verdade estou super por fora), surgiu um assunto interessante. Ele me perguntou se eu gostava de poesia marginal e eu respondi que já tinha ouvido falar mas nunca tinha lido ou ao menos sabido de algo relacionado a isso. Então ele me passou o nome de dois desses poetas e lá fui eu ver do que se tratava. Ele falou do Paulo Leminsk e do Torquato Neto. Desse último, não consegui ler nada visto que a música do seu site não me agradou e as coisas eram tão modernas que se tornaram confusas, ainda mais que estou com febre e com a mínima paciência pra algumas coisas.

Na verdade, a poesia marginal apareceu nos anos 70, época de grande repressão, e ela rompia com a realidade, com o intelectualismo e era diluidora, marginal.Esses ideais eram passados de mão em mão em forma de folhetos, jornais e revistas, chegando às praças, aos muros como uma forma de manifestação político-social e de mudanças. Além de ser uma alternativa, a Marginalidade ameaçava o sistema, possibilitando a ação, a agressão e a transgressão. O uso de drogas, a sexualidade que foge aos padrões vigentes, o comportamento "exótico" são vividos e sentidos como gestos perigosos, ilegais e então sentidos como uma forma de contestação política. Na verdade, a fuga dos padrões impostos são tipos de contestação, quando feitos de maneira consciente e inteligente. E o Paulo Leminsk, um desses Marginais, escreveu coisas que me deixaram apaixonado. Na verdade, ainda não conheço muita coisa das poesias marginais, mas do que eu conheço, posso dizer que ele diz muito o que eu quero ouvir. E umas das coisas que eu muito gostei foram essas:

1- Um homem com uma dor

é muito mais elegante

caminha assim de lado

como se chegando atrasado

andasse mais adiante

carrega o peso da dor

como se portasse medalhas

uma coroa um milhão de dólares

ou coisa que os valha

ópios édens analgésicos

não me toquem nessa dor

ela é tudo que me sobra

sofrer, vai ser minha última obra .

2- A estrela cadente

me caiu ainda quente

na palma da mão.

3- Para a liberdade e luta

me enterrem com os trotskistas

na cova comum dos idealistas

onde jazem aqueles

que o poder não corrompeu

me enterrem com meu coração

na beira do rio

onde o joelho ferido

tocou a pedra da paixão.

4- En la lucha de clases

todas las armas son buenas

piedras

moches

poemas .

5- Eu queria tanto

ser um poeta maldito

a massa sofrendo

enquanto eu profundo medito

eu queria tanto

ser um poeta social

rosto queimado

pelo hálito das multidões

em vez

olha eu aqui

pondo sal

nesta sopa rala

que mal vai dar para dois.

6- Podem ficar com a realidade

esse baixo astral

em que tudo entra pelo cano

eu quero viver de verdade

eu fico com o cinema americano.

7- O novo

não me choca mais

nada de novo

sob o sol

apenas o mesmo

ovo de sempre

choca o mesmo novo .

8- Moinho de versos

movido a vento

em noites de boemia

vai vir o dia

quando tudo que eu diga

seja poesia .

9- Amor ,então ,

também acaba?

Não que eu saiba.

O que eu sei

é que se transforma

numa matéria-prima

que a vida se encarrega

de transformar em raiva.

Ou em rima.

10- Duas folhas na sandália

o outono

também quer andar.

As poesias marginais de Leminsk são simples, contestadoras, pequenas frases que expressam muito mais que qualquer romance. O melhor de tudo é quando o texto se transforma em discurso e você, de verdade, entende. Os Lusíadas, A Moreninha, Os Sertões... até acredito que sejam obras belíssimas. Mas nunca se transformaram em discurso pra mim. Quem sabe um dia eu não me interesse?

começo.




Já tive uns 200 blogs, mas nada que eu tivesse levado tão a sério. Na época, era mais uma forma de marketing pessoal, de mostrar pras pessoas tudo o que eu almejava ser. E esse vai ser exatamente a mesma coisa. E olha como isso é super verdade: vou começar postando uma foto minha.





Na hora de escolher a foto, na minha cabeça circulava algo do tipo: uma foto em que eu não esteja feio, que eu não pareça tão poser, que soe como intelectual e que soe como trash, ao mesmo tempo. E eis nem o melhor e nem o pior de mim, apenas o que eu quero aparentar. Se eu sou algo disso? Acredito que sim. Ninguém consegue ser tão fake assim.

Por quê cocô? O cocô nada mais é que a junção de tudo o que é ingerido, absorvido, vivido.
É o pôr pra fora tudo o que está dentro, é a síntese. Receber conhecimentos é alimento. Gerar conhecimentos é cocô. Cocô não é algo ruim, não é o que sobra, o que não presta. O cocô é algo que você mesmo fez. Se você é a mídia, você é cocô. Se você discute sobre algo, você está produzindo cocô. Cocô de conhecimentos. Por isso, quando escrevo, cago.